quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

palpitações

não.
dona de nada no mundo sou, pois nem de mim tenho a posse definitiva. na bagunça do ser, restou a morte e ressurreição diária de mim.
pareço incompreendida? adentra então comigo no meu vir-a-ser. faz-me segredo teu, porque o meu tu já revelaste. ou eu mesma o fiz a ti - talvez não sem o saber.
o sentido de incompletude nos move. nascemos assim. vivemos, morremos assim. incompletos. estou humana.

quero tão-somente o inédito, mais necessariamente o impreciso, o incompleto de si.
a mim, só me pergunto: basta o viver? ou o sentir o precede? viver sentindo ou sentir vivendo?
questiono-me. questiona-me, porque o inacabado é que me atrai...

as estrelas, quando as vemos, se mostram passado no presente. vemo-las, mas estão já no passado. não pretendo viver a contar ou a ler estrelas. ouvi-las-ei, talvez, no máximo.

mas pensa, reflete: o que não está de acordo com nenhuma forma de amar, por mais indefinido, torna-se, em dado momento, uma forma de amar. o não-querer é já um querer.
vamos, vamos juntos às possibilidades do devir.

pensas como eu. exatamente como eu.
o reflexo disso saberemos um dia, talvez [?]
o ex-perimentar é refletir[-se]. a ânsia do outro é também a ânsia de si mesmo. o espelho é o amor? é o querer? amas tu? queres tu?

escolhe, apenas.
eu já o fiz.

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